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Os Filhos da "Gripezinha"

Publicado em 1 de dezembro de 2020 · Dr. Roberto Müller

Publicado no BODAU — Boletim Informativo da Diretoria da SBU, Ano XXXI, n° 4, Out–Dez 2020, pp. 40–41. Republicado na edição Platinum 2021.


Sobre o longínquo carnaval do Rio de Janeiro em 1919, que nenhum de nós viveu e muitos sequer ouviram falar, escreveu Nelson Rodrigues:

“Aquele Carnaval foi, também, e sobretudo, uma vingança dos mortos mal vestidos, mal chorados e, por fim, mal enterrados (…) Desde as primeiras horas de sábado, houve uma obscenidade súbita, nunca vista, e que contaminou toda a cidade (…) Nada mais arcaico do que o pudor da véspera.”

A nota publicada na página 4 do Correio da Manhã (Rio de Janeiro) em 20 de janeiro de 1919 descrevia o comportamento da população carioca no primeiro carnaval após o fim da pandemia de gripe espanhola — marcado por liberação e comportamento sexual desreprimido após meses de isolamento e luto.

O paralelo com a Covid-19

Com o fim progressivo do distanciamento social imposto pela pandemia de COVID-19, urologistas estarão na linha de frente de consequências similares: aumento na demanda por tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, questões de fertilidade e saúde sexual masculina, entre outras.

O texto discute as implicações práticas para a prática urológica do comportamento pós-pandemia, com foco em saúde sexual e reprodutiva masculina — e na responsabilidade do urologista em estar preparado para receber esses pacientes.


Dr. Roberto Lodeiro Müller é uro-oncologista do CEPON e urologista do HU-UFSC, Florianópolis – SC.