Você provavelmente já ouviu falar do herpes-zóster, popularmente conhecido como “cobreiro”. Quem já teve ou viu um familiar passar por isso sabe o quanto a doença é dolorosa. Aquelas pequenas bolhas que surgem na pele, geralmente em apenas um lado do corpo (como na costela, no rosto ou nas costas), vêm acompanhadas de uma dor intensa, que muitos pacientes descrevem como uma queimação ou choque insuportável.
A boa notícia é que hoje existe uma forma extremamente eficaz de prevenir essa condição: a vacina recombinante contra o herpes-zóster (Shingrix). Neste texto, vamos explicar os seus benefícios (que vão além da pele!), o calendário de vacinação e o cenário atual da vacina no Brasil.
Por que o Herpes-Zóster acontece?
O causador dessa doença é o vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora na infância. Depois que você se cura da catapora, o vírus não vai embora do seu corpo — ele fica “dormindo” no seu sistema nervoso por décadas.
Quando ficamos mais velhos (especialmente após os 50 anos) ou passamos por períodos de baixa imunidade, estresse severo ou tratamentos de saúde intensos, o vírus pode “acordar”. É essa reativação que chamamos de herpes-zóster.
Os Grandes Benefícios da Vacina
A vacina atual disponível nas clínicas privadas brasileiras apresenta uma eficácia superior a 90% na prevenção da doença. Mas as vantagens não param por aí:
- Prevenção da Neuralgia Pós-Herpética: Essa é a complicação mais temida da doença. Trata-se de uma dor crônica que pode durar meses ou anos no local onde estavam as feridas, mesmo depois que a pele já cicatrizou por completo. A vacina protege fortemente contra essa sequela.
- Proteção Cardiovascular: Estudos mostram que episódios de herpes-zóster inflamam os vasos sanguíneos e aumentam o risco de infarto e AVC. O imunizante ajuda a reduzir esses riscos.
- Redução no Risco de Demência: Pesquisas médicas internacionais de ponta indicam que a vacinação contra o herpes-zóster pode reduzir em cerca de 20% o risco de desenvolver demência (como o Alzheimer), além de diminuir o avanço da perda cognitiva em quem já possui o diagnóstico.
Calendário de Vacinação: Como funciona?
A vacina contra o herpes-zóster é feita em duas doses, segundo a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm).
- Intervalo: A segunda dose deve ser aplicada de 2 a 6 meses após a primeira dose.
- Para quem é recomendada? Para todos os adultos com 50 anos ou mais, e para pessoas a partir de 18 anos que apresentem imunocomprometimento ou risco aumentado de desenvolver a doença (como pacientes oncológicos ou transplantados).
Para acompanhar as diretrizes médicas atualizadas de imunização no Brasil, você pode consultar o calendário completo diretamente no portal da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm).
Respondendo às Dúvidas Mais Comuns
Já tive Herpes-Zóster. Preciso tomar a vacina?
Sim. Ter tido a doença não garante que você não vá desenvolvê-la novamente no futuro (as reinfecções acontecem). A recomendação médica é aguardar cerca de 6 meses após a resolução das feridas na pele para iniciar o esquema de duas doses da vacina.
Tomei a vacina antiga (Zostavax). Devo tomar a Shingrix?
Sim. A vacina antiga (Zostavax, feita com vírus vivo atenuado) foi descontinuada e oferecia uma proteção bem menor, que diminuía rapidamente com o tempo. A nova vacina (Shingrix) é feita com tecnologia recombinante (vírus inativo), sendo muito mais segura e eficaz. O intervalo recomendado é esperar pelo menos dois meses após ter tomado a Zostavax para receber a nova vacina.
A Vacina está disponível no SUS?
Uma das dúvidas mais frequentes dos pacientes é se é possível receber o imunizante de graça na rede pública. O Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), abriu consultas públicas para avaliar a inclusão da vacina. A proposta inicial previa focar o atendimento do sistema público nas populações de maior risco: idosos com 80 anos ou mais e pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos.
Apesar do reconhecimento de que a vacina é altamente eficaz, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster no SUS. O motivo oficial foi o altíssimo impacto orçamentário para os cofres públicos, estimado em bilhões de reais devido ao custo de importação do imunizante.
O governo federal informou que continua em negociações com os fabricantes para tentar obter valores mais sustentáveis no futuro. Portanto, no momento, a vacina contra o herpes-zóster permanece disponível apenas na rede privada de saúde (clínicas de vacinação e farmácias autorizadas).
Se você tem mais de 50 anos ou possui alguma condição que afeta o seu sistema imunológico, converse com o seu médico de confiança sobre a importância de incluir essa proteção no seu planejamento de saúde. Cuidar de você é o melhor investimento!
Quer entender mais sobre os sintomas e as dores do “cobreiro”? Assista ao vídeo do Dr. Drauzio Varella:
Dr. Roberto Lodeiro Müller é uro-oncologista formado pelo Hospital de Câncer de Barretos e Duke University (EUA). Reside e atende em Florianópolis, SC.